Resenha – Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída…

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e ProstituídaLançamento: 2 de abril de 1981
Duração: 1h 27m
Direção: Uli Edel
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: Alemanha ocidental
Classificação: 5/ 5 

Na cidade de Berlim, nos anos 70, a adolescente Christiane (Natja Brunckhorst) é uma jovem comum que mora com a mãe e a irmã caçula. Ela sonha em conhecer a “Sound”, discoteca mais moderna e badalada do momento. Menor de idade, ela consegue entrar com a ajuda de uma amiga, conhece Detlev (Thomas Haustein) e começa a se aproximar das drogas. Primeiro álcool, depois maconha, calmantes, LSD, heroína. Imersa no submundo do vício, ela passa a prostituir-se.


No início da semana assisti um filme que mexeu muito comigo, provavelmente você já escutou falar sobre ele ou sobre o livro de mesmo nome “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída…”

Eu era louca para ler o livro, mas sempre adiava ou esquecia, então zapeando pela net me deparei com o filme e resolvi matar de vez minha curiosidade. Através dele consegui ver um outro lado desse mundo cruel que se entra ao adquirir um vício. Isto porque, no filme conseguimos analisar o ponto de vista de alguém que vivenciou essa realidade, nos deparamos com conflitos psicológicos, o rápido declínio de  uma garota que muito cedo teve que se responsabilizar por suas escolhas erradas, crises que abstinência e como devem imaginar cenas impactantes.

Algo que me deixou muito sensibilizada é que a obra é baseada em uma história real. Christiane F realmente passou por tudo isso, o que me obrigou a enxergar que “Christianes” existem e caem tão ou mais rápido que nossa personagem. Os tempos mudaram, mas os conflitos são os mesmos.

A obra se passa na década de 70, na Alemanha Ocidental que era um país de primeiro mundo,  superindustrializada e considerada o espelho do Capitalismo. Porém possuía uma quantidade enorme de adolescentes e crianças nas ruas, que se drogavam, se prostituíam, mas que eram ignorados pela sociedade. Naquela época, a heroína era uma novidade em Berlim, e as pessoas a chamavam de “H”.

O filme começa com  Christine indo pela primeira vez na boate Sound, a garota queria muito conhece-la, era o local onde os jovens de Berlim se reuniam. Ela foi com sua amiga Kessi, que facilitou sua entrada. Lá Christine experimenta LSD e conhece seu futuro namorado Detlef e seus amigos Axel, Babsi, Atze, Zambie e Stella.

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Logo no início percebi que o filme utiliza do colorismo ( em breve vou fazer um post sobre o assunto) para dar o tom da história. A fotografia é escura, densa, sombria; ela retrata como esses jovens viviam na sombra, eram desprezados. Os diálogos pausados e curtos me deixavam angustiada e a trilha sonora era perfeita para compor o clima das cenas. Considero um filme com excelentes recursos (lembrando que é de 1981) para prender a atenção e passar ao telespectador as sensações desejadas.

Desde a primeira cena não consegui deixar a tela e esse filme não é nem um pouco agradável ou leve, ao contrário me transportei para o mundo de Christina F. e senti angústia, raiva, medo, me emocionei, não entendi. Enfim, o que quero dizer é que para assisti-lo você tem que estar preparado,  ele vai mexer com sua cabeça.

Após seu primeiro contato com as drogas, a jovem observava seus amigos utilizando heroína e não entendia porque utilizavam algo tão devastador. Porém em um show de seu ídolo David Bowie (pode acreditar Bowie interpretou ele mesmo XD), Christine decide aspirar heroína e não demora muito para estar se picando. Mesmo acompanhando a morte de muitos de seus amigos, a garota não tem forças para deixar as drogas e a cada dia que passa precisa mais delas.

Uma das cenas mais chocantes é quando ela e seu namorado tentam deixar o vício, eles sentem dor, ficam encharcados de suor, mal conseguem se mexer e pensar, seu único desejo é fazer a dor parar e com um pico tudo seria mais fácil.

O fim é o esperado para uma história que ainda não havia acabado. E para mim foi satisfatório, afinal a intenção da própria Christine era mostrar como é difícil conviver com um vício, uma escolha que precisou lidar por toda sua vida. Ela ainda está viva e em 2014 lançou mais um livro intitulado “Minha Segunda Vida”, uma ótima escolha caso tenham curiosidade para saber o que aconteceu com a menina após o sucesso do livro e filme.

“A podridão está em toda parte.
É só dar uma olhada.
De longe tudo parece
novo e impressionante…
Com seus gramados verdes
e shopping centers.
Mas o mau cheiro é pior
nas escadas dos prédios.
O que as crianças podem fazer
quando querem ir ao banheiro?
Até o elevador vir já sujaram
as calças e apanharam.
Por isso preferem fazer
nas escadas.”

Entenda o filme pelo lado psicológico neste link que me ajudou a elaborar este post.

Bjuss e até a próxima!

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Sobre Luh Alves

"Luana Alves – 21 anos, mineira, aquariana inconstante e apaixonada pela vida, viciada em livros e louca por séries."
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20 respostas para Resenha – Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída…

  1. Lu disse:

    Eu li esse livro quando tinha 14 anos, queria viver na fase rebelde da vida! ótima resenha Luh. Beijos http://www.blogquatroluas.com

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  2. caradecotia disse:

    Li esse livro quando estava na escola. Tava numa fase bem drogas e rock n roll, e esse livro foi tudo de bom!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Um dos melhores livros que já li e reli! Ela lançou um faz pouco tempo, contando como foi a vida dela depois do livro até os dias de hoje. Também vale a pena ler para saber o que aconteceu com ela.

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  4. Barbara M. disse:

    Não sei se o Minha Segunda Vida é o mesmo que o A Vida Apesar de Tudo. Eu amei o A Vida Apesar de Tudo, até fiz um post sobre https://theroom1408.wordpress.com/2015/08/23/resenha-eu-christiane-f-a-vida-apesar-de-tudo/
    Vale a pena ler os dois livros!

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  5. Rafaela Pinheiro disse:

    Não conhecia a história e confesso que fiquei curiosa, gostei muito da sua crítica também 😀 Beijos! ❤ http://www.tobemzen.com

    Curtido por 1 pessoa

  6. Simone disse:

    Eu vi no youtube, mas não cheguei a ver o filme. Não sabia que era baseado em fatos reais. Vou assistir. Infelizmente conheço uma pessoa que está nessa e é triste de mais.

    Curtido por 1 pessoa

  7. Fernanda Trein disse:

    Esse livro marcou muito a minha adolescência e só depois fui assistir o filme. Ainda prefiro o livro #soudessas. É chocando ser baseado numa história verídica, afinal é uma menina de só 13 anos!
    Se tiver oportunidade, leia!

    Curtido por 1 pessoa

  8. Isabella Cas disse:

    Nossa, realmente quero assistir esse filme!
    Fiquei curiosa rsrsrs parece realmente tocante rs

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  9. Mariana disse:

    Adorei esse filme parace muito bom. 😍
    Fiquei com vontade de assistir.

    Curtido por 1 pessoa

  10. Roberta Kelly disse:

    Oi, Luh! Eu sou a diferentona que nunca tinha ouvido falar desse filme, até você comentar no grupo. E pode ter certeza que seu post ficou muito incrível e agora ele está na minha lista! Parabéns pela dedicação com esse post!
    Um beijo!
    Sempre às Quatro

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    • Luh Alves disse:

      Roberta, que bom q gostou do post 😍
      O filme mexeu muito comigo de uma forma q não sei explicar, coloque na sua lista e quando assisti me conte o q achou. Mas se prepare ele não é um filme muito fácil
      Bjuss

      Curtir

  11. Que resenha maravilhosa Luh!! Não assisti ao filme ainda e nem li o livro, mas seu post me prendeu tanto, que fiquei muito curiosa para assistir e ler hehe.
    Beijos!!

    Curtido por 1 pessoa

  12. Quando assisti este filme a primeira vez, fiquei com medo, mas não sabia explicar o porque. Agora vejo o quanto este mundo das drogas quem entra dificilmente sai. Beijos

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    • Luh Alves disse:

      Verdade, precisamos orientar bem os jovens pq tdo começa como uma brincadeira e quando se dão conta não se tem forças para sair.
      Essa história é bem triste e tbm me causou medo, considero q quem vive dependente como Christine vive em um pesadelo q nunca acaba.

      Curtido por 1 pessoa

  13. Lari Reis disse:

    Muito boa a resenha, Luh! Mesmo sendo um filme cuja história já foi bastante abordada pelas pessoas, a leitura do post me prendeu 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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